Receitas acessórias em rodovias. Sim, há novas alternativas!

Mais do que viável, essa renda pode vir de soluções capazes de beneficiar e muito osusuários, além de contribuir para a modernização da malha viária. 

Está dada a largada. No início de fevereiro, o governador João Doria anunciou o novo pacote de concessões rodoviárias em São Paulo. Ele envolve 12 estradas, abrangendo 1,2 mil quilômetros, 11 delas operadas hoje pelo DER (Departamento de Estradas de Rodagem). Segundo divulgado pela imprensa, o edital final deve sair em 15 de março, com entrega das propostas em 15 de abril. Vencerá o grupo que oferecer o maior valor de outorga.

O cálculo desse valor é algo extremamente complexo. Se não por todas as variáveis intrínsecas ao projeto em si, é preciso lidar com o imponderável, afinal trata-se de contrato de longo prazo, normalmente entre 25 e 30 anos. Se atualmente não conseguimos imaginar o que acontecerá no País nos próximos seis meses, o que dizer de como estaremos em 2040?

Além desse pagamento antecipado, que difere do modelo de vencedor pela menor tarifa, a empresa terá de lidar com pesados custos fixos, inerentes a qualquer projeto de infraestrutura. Para fazer frente a esses custos, cresce nas concessionárias a figura do diretor ou gerente de receitas acessórias.

Exatamente como nome diz, o objetivo desse profissional, ou mesmo de um departamento inteiro, é encontrar fontes alternativas de receita afora o pedágio. E por que essas fontes são cada vez mais importantes? Principalmente em função da instabilidade econômica, capaz de tirar os usuários das estradas, com impacto direto na arrecadação do pedágio.

Cientes dessa demanda, estamos buscando formas de monetizar a solução de comunicação por rede sem fio, em rodovia, desenvolvida pela AMR. Batizada de vROAD, ela difere de tudo o que está no mercado, com estruturas superando seus concorrentes em leveza, durabilidade, versatilidade e facilidades de instalação e manutenção.

O modelo tradicional é formado, via de regra, por repetidoras Wi-Fi com poste de concreto ou metal de altura entre oito e dez metros, com conjuntos pesando mais de uma tonelada. Essa estrutura é fixada no solo, sustentando o equipamento que vai transmitir o sinal Wi-Fi, instalado no extremo superior do poste, e as baterias (alimentadas por painéis solares instalados em estruturas metálicas suportadas pelo poste). Pesando de 100 a 200 quilos, dependendo do consumo de energia dos dispositivos instalados, o conjunto de baterias deve ser dimensionado para suportar o sistema na ausência do Sol por até seis dias.

A instalação e a manutenção dessa estrutura exigem a presença de um caminhão munck, aquele com cesto aéreo, cujo aluguel sai por volta de R$ 2 mil por dia. Isso sem contar que a própria presença do munck requer o isolamento de parte da pista. A ARTESP (Agência Reguladora dos Serviços Delegados de Transporte de São Paulo) exige que o fechamento de pistas seja comunicado com três ou quatro horas de antecedência, e que a sinalização, feita por empresa terceirizada, seja iniciada a cerca de 200 m do local da obra, demarcando a pista que será interditada com cones, placas de sinalização e fiscais. Resumindo, dor de cabeça para a rodovia, para os usuários, pressão nos custos da concessionária e aumento de riscos de acidentes.

Desenvolvida para substituir esse modelo, a estrutura vertical autônoma patenteada pela AMR é feita em PRFV (polímero reforçado com fibra de vidro) e pesa 80 quilos, ou seja, até 20 vezes mais leve que a solução tradicional. No topo estão dois access points, com dois quilos cada um. O painel solar é colado no próprio poste, com secção hexagonal. Um duto no interior da estrutura acomoda os cabos que levarão a energia captada às baterias, enterradas abaixo do poste dentro de uma caixa metálica ou de concreto, envolta em fibra de vidro.

A leveza da vROAD permite que o poste seja reclinável. Em sua base há um pescoço de metal com uma dobradiça, possibilitando que a coluna de fibra de vidro seja reclinada. Duas pessoas bastam para deixá-la paralela à rodovia para a manutenção de qualquer de seus dispositivos, reduzindo drasticamente a interferência no fluxo da rodovia e nos custos.

E a receita acessória?

No topo da vROAD fica um radome, uma estrutura circular, que lembra a cúpula de um abajur, projetada para proteção dos usuários das rodovias em caso de acidente, distribuindo o impacto dos equipamentos instalados. Esse espaço pode ser usado para a divulgação de marcas. Porém, mais do que a publicidade estática, estamos estudando, ao lado de agências de publicidade, formas de explorar o acesso à rede Wi-Fi. Uma instituição financeira, por exemplo, poderia se interessar em financiar parte da instalação da rede Wi-Fi na rodovia. Em troca conseguiria, por meio de um access ID, levar a sua mensagem aos usuários da estrada no momento em que eles se conectassem à rede e mesmo à população lindeira, também beneficiada pelos pontos de Wi-Fi.

A instalação de redes Wi-Fi é pré-requisito para as novas concessões desde 2018, inclusive em substituição aos telefones de emergência (call box). O objetivo da ARTESP é fazer com que o usuário não precise sair do carro para entrar em contato com o centro de controle operacional para comunicar um acidente, um problema mecânico ou solicitar alguma informação.

Algumas concessionárias, mesmo com contratos ainda válidos por muitos anos, estão se antecipando, enxergando as soluções Wi-Fi como uma forma de acabar com o problema de vandalismo do qual os call boxes são vítimas, além da possibilidade de modernizar a estrutura e oferecer maior comodidade e segurança ao usuário.

E o nosso papel é viabilizar essas alternativas, contribuindo para a modernização das vias que cortam o Estado.