Para você, pedir a um amigo que trabalha no serviço público para ajudá-lo a tirar um documento mais rápido do que o normal é um favor, entra no rol do jeitinho brasileiro ou trata-se de corrupção? Hoje, as chances de você ter ficado com a terceira opção são altas. Certamente muito mais altas do que há 17 anos, quando Alberto Carlos Almeida incluiu tal pergunta na Pesquisa Social Brasileira. Realizada no âmbito da Universidade Federal Fluminense em 2002, o levantamento gerou o livro A Cabeça do Brasileiro. Na obra, lançada em 2007, o autor disseca a pesquisa, revelando o que pensávamos sobre vários temas, entre eles o malfadado jeitinho brasileiro.

Na época, 43% dos 2.363 entrevistados classificaram o pedido como jeitinho, 26% como um simples favor e 31% como um ato de corrupção. Mas Alberto já pressentia a mudança na mentalidade das novas gerações que motivaria, na década seguinte, a aprovação da Lei Anticorrupção e o início da Operação Lava Jato. No recorte por faixa etária, a pesquisa de 2002 mostrou que 44% das pessoas entre 18 a 24 anos consideravam corrupção o ato de se favorecer de uma amizade para acelerar a obtenção de um documento, enquanto no estrato acima dos 60 anos, o percentual que julgava o ato como corrupção despencava para 23%.

Não por acaso, nesse mesmo intervalo de tempo começou a disseminar-se no meio corporativo um conceito que no cenário atual é imprescindível. Estou falando de compliance, termo em inglês que contempla mecanismos de controle e padrões éticos a serem adotados pelas empresas.

É curioso observar que essa ferramenta está entre nós há mais de 20 anos. No jornal O Estado de S.Paulo o termo aparece pela primeira vez com tal conotação em um anúncio da Fipe veiculado em 1996, divulgando o curso de compliance e risk management em instituições financeiras. Foram elas, sobretudo os fundos de investimento, motivados pela necessidade de se defender de ações fraudulentas, que alavancaram as estratégias de compliance. O termo entra definitivamente na pauta do jornal em março de 2000, numa matéria de página inteira discutindo as fraudes nos fundos de investimento e mecanismos para evitá-las. Ainda assim, a palavra aparecia esporadicamente no periódico. As referências à ferramenta de gestão se popularizam efetivamente a partir de 2013, com a aprovação da Lei 12.846, a Lei Anticorrupção. Em matéria publicada em julho de 2018, o Estadão assinalou o crescimento na procura das empresas por treinamentos e programas de compliance com o objetivo de se blindar de punições e dificultar esquemas de corrupção.

Não basta ser, é preciso parecer

A mudança de mentalidade das equipes por meio da reciclagem de conhecimento tem se mostrado uma ferramenta eficaz. Mas algumas empresas têm ido além, pois sabemos que não basta ser ético, é preciso mostrar-se ético, explicitando de forma clara e objetiva a adoção de boas práticas de compliance. E no mundo dos negócios, nada melhor do que a chancela de um organismo idôneo para mostrar que se está no caminho certo.

Assim nasceu o selo Certigov. Desenvolvido pela consultoria independente Paseli a partir das demandas da HPE, a certificação fomenta a ética e a transparência nas empresas que participam de licitações para o governo. Baseada em leis e padrões anticorrupção nacionais e internacionais, incluindo a Lei 12.846 e a ISO 37001/2016, o Certigov traz maior segurança jurídica à HPE e seus parceiros, aumentando a eficiência das vendas ao setor público ao instituir práticas preventivas de compliance.

Não se trata apenas de um carimbo de boa conduta. O diferencial está na metodologia adotada pela Paseli. Destinada aos representantes HPE, ela envolve, além da auditoria, a revisão de todos os procedimentos de venda ao setor público, assim como entrevistas individuais, apresentação de diagnóstico, treinamento e recomendações para que o distribuidor tenha a chance de continuar evoluindo nessa área.

Como integrante da primeira leva de canais certificados, devo dizer que mesmo tendo a ética como um dos pilares de nossa atuação, o processo de certificação nos ajudou a espalhar a cultura anticorrupção por toda a empresa, fazendo com que extrapolasse os limites do departamento que trata das relações com o governo.

E estamos aqui diante do velho e bom ganha-ganha. O maior benefício do Certigov é a transparência em todo o processo, do qual tiram proveito os três agentes envolvidos: a empresa pública, a revenda e a HPE.

Temos de engrossar o caldo dos que rechaçam as antigas práticas. E o momento não poderia ser mais propício. Entre nesse jogo com a gente.